«A depressão ou os ataques de pânico não são doenças, mas sim estados que podemos alterar.»

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«A depressão ou os ataques de pânico não são doenças, mas sim estados que podemos alterar.»

Entrevista de Pedro Brás à Zen Energy

A revista ZEN Energy esteve à conversa com Pedro Brás, psicoterapeuta e fundador da Clínica da Mente, que explicou como ultrapassar as fases mais perturbadoras da nossa vida.

imagem do artigo publicado, mostrando Pedro Brás.

ZEN: Todos nós temos momentos na vida em que podemos sentir-nos em baixo, andar angustiados, stressados, tristes e deprimidos pelas mais diversas razões. Como é que se pode distinguir entre uma perturbação ligeira, que passa ao fim de algum tempo, e uma patologia mais pesada e duradoura, que está a transformar-se num problema de saúde mais grave?


PEDRO BRÁS: A vida traz-nos diversas experiências, algumas más. Às experiências más reagimos de diversas formas; por vezes com medo, por vezes com tristeza, repulsa, e até raiva. Estas emoções são normais e fazem parte da forma como entendemos e vivemos a vida, tentando fugir a tudo que nos traga dor, aproximando-nos do prazer. Quando reagimos a experiências más com estas emoções, sentimo-nos mal… sentimos pressões no corpo que nos trazem dor e desconforto. Enquanto entendermos estas experiências como negativas, como agressoras, sentimo-nos assim…. Mas com o passar do tempo, vamos desvalorizando os acontecimentos, vamos dando-lhes outros significados e deixamos de entender essas experiências como agressoras e, desta forma, deixamos de sentir essas emoções tão fortes e limitadoras. Dizemos assim que estes estados de tristeza ou medo são passageiros quando passam dentro do tempo que nós mesmos temos como aceitável. Por exemplo, um processo de luto vai implicar naturalmente um tempo de tristeza mais angustiante. Mas o esperado é que a pessoa, mais tarde ou mais cedo, comece a lidar um pouco melhor com a situação, quando começam a ressignificar a morte e a valorizar mais a vida do ente querido, e embora a saudade permaneça sempre, torna-se tolerável e permite uma vida normal.
No entanto, algumas vezes, não nos conseguimos libertar de tais emoções e definhamos de uma forma involuntária em estados de tristeza e medo que não acabam. Sentimos que o corpo que se afunda e toma vida própria, arrastando-nos para becos sem saída, onde muitas vezes não percebemos o que se passa. Mas o que se passa? Porque não saímos dos estados negativos de Depressão e Ansiedade?
Quando não conseguimos sair dos estados normais de tristeza ou de medo, dizemos que estamos com Perturbações de Ansiedade e em Depressão, e não conseguimos sair desses estados porque não conseguimos esquecer… não conseguimos desvalorizar, por que não conseguimos compreender determinadas experiências que nos agrediram tanto o nosso bem-estar.
Nestas situações, estamos com um problema grave de saúde, porque, ao não conseguirmos sair sozinhos desses estados, toda a nossa saúde física e bem-estar psíquico estão comprometidos. As pessoas precisam, então, de ajuda especializada de um psicólogo devidamente equipado com ferramentas modernas e assertivas que entenda o problema e ajude a pessoa que sofre a sair desse estado.

A Clínica da Mente é um espaço de tratamentos que utiliza o modelo psicoterapêutico HBM (estudo e compreensão do mapa da mente) no tratamento das perturbações mentais e emocionais. Pode esclarecer os nossos leitores sobre esta terapia inovadora?

Pedro Brás na Clínica da Mente

Na Clínica da Mente estudamos e criamos um Mapa da Mente, um mapa que nos ajuda a perceber o pensamento e o comportamento da pessoa que nos procura. Podemos, assim, ir à origem emocional da causa que provoca a perturbação e levar o paciente a vencer e ultrapassar esse momento que condiciona todo o seu estado de espírito e mental. O Mapa da Mente permite-nos socorrer de uma espécie de GPS para ir à origem e tratar o problema. O que o novo Modelo Psicoterapêutico HBM propõe é treinar a mente humana para desvalorizar emocionalmente as experiências traumáticas do passado, através de técnicas cuidadosamente desenvolvidas e exclusivas da Clínica da Mente. Este modelo de intervenção psicoterapêutica apenas está a ser utilizado pelos profissionais da Clínica da Mente, mas esperamos que dentro de 5 anos todos os psicólogos tenham a oportunidade de o conhecer e de o usar nas suas práticas clínicas. A nossa terapia será sempre parte da solução e nunca, como tantas vezes acontece com alguns tratamentos e desnecessária utilização de fármacos, se poderá transformar num novo problema. Fazemos parte da solução e não do problema.

As principais técnicas que utilizam na clínica é a Morfese e a Athenese. Pode falar-nos destas técnicas e da maneira como são utilizadas para tratar os vossos pacientes?

Partimos do princípio que as causas das perturbações emocionais têm origem nas experiências que vivemos no passado, e que, na verdade, o que nos afeta não é a própria experiência, mas a perceção que temos dela, ou seja a forma como a vivemos, como a entendemos, como a sentimos, no fundo como a imaginamos. As experiências dolorosas muitas vezes são difíceis de compreender, criando distúrbios da perceção. Para corrigir esses distúrbios, também se deve utilizar a imaginação, alterando as nossas crenças e emoções. A Técnica de Athenese é uma técnica que permite, através do uso da imaginação, produzir a alteração de crenças e emoções. No entanto, como a maior parte dos distúrbios emocionais são inconscientes, deve utilizar-se a técnica de Morfese, que trabalha com a imaginação inconsciente, ou seja, com os sonhos. Assim, induzimos sonhos para que as pessoas recuperem o equilíbrio emocional. Estas duas técnicas trabalham em dois níveis diferentes da nossa mente com um único objetivo: a mudança de perceção de experiências vividas.


Quais é que são as patologias mais frequentes com as quais os vossos especialistas se deparam na clínica?

A Clínica da Mente foi criada há 7 anos e já atendemos mais de 5000 pessoas. Temos atualmente 17 Psicoterapeutas que diariamente dão o seu melhor com muito sucesso para ajudar quem nos procura. As perturbações mais frequentes são as Depressões, a Ansiedade, os Ataques de Pânico, o Transtorno Obsessivo e as Fobias Sociais/Timidez. A maioria das pessoas que nos procuram já sofrem há mais de 10 anos e chegam a nós após todas as outras alternativas terapêuticas, nomeadamente as farmacológicas, não terem sucesso. É frequente atendermos casos crónicos de internamento psiquiátrico.


Dos vários testemunhos percebemos que há algumas perturbações, como a fobia social ou a timidez, que podem ser tratadas em poucas sessões. Todas as patologias têm o mesmo sucesso na vossa clínica ou depende de uma pessoa para outra e de uma patologia para outra?

Cada caso é necessariamente diferente e precisa de especial atenção. Com o nosso modelo de intervenção, os tratamentos têm por norma resultados muito rápidos, pois espera-se sucesso clínico em 6 a 10 semanas após o início do tratamento. Apesar desta rápida melhoria, acompanhamos cada caso durante um ano com vigilância regular, para garantirmos que as pessoas estão totalmente recuperadas na sua saúde mental. Os resultados clínicos da Clínica da Mente são comprovados por estudos científicos que acompanham a evolução terapêutica e que comprovam os seus resultados. Temos, no nosso site, a publicação desses estudos. Dentro de 3 meses publicaremos 6 novos estudos, com os resultados clínicos de 400 pessoas que se propuseram a frequentar os nossos ensaios. Estamos muito felizes por termos a oportunidade de ajudar tantas pessoas a encontrar a sua felicidade. Recordo que os tratamentos efetuados com este modelo de intervenção Psicoterapêutica não precisam de internamento nem de recorrer a qualquer tipo de medicação.


Qual é o maior desafio no tratamento das perturbações mentais e emocionais?

Pessoalmente, considero que existe um grande desafio e no qual eu tenho uma missão a cumprir. Pretendo contribuir para mudança de paradigma da saúde mental. Quase todas as pessoas acreditam que a depressão e a ansiedade são doenças e por isso recorrem à medicação como solução, e o que pretendo é explicar a todos o contrário: as perturbações mentais, como a Depressão ou os Ataques de Pânico, não são doenças, mas sim estados que podemos alterar. Acredito que, dentro de 10 anos, não haja o estigma da doença mental, e todos entenderão que as perturbações da mente humana não são doenças e não fazem das pessoas menos válidas nem “malucos”. Quero acreditar que, dentro de 10 anos, estarão amplamente disseminadas as novas psicoterapias já existentes que, sendo muito rápidas no alcance dos seus resultados, farão os Ataques de Pânico parecer uma dor de dentes que dura até á próxima visita ao psicólogo.


Vai abrir outras clínicas em Portugal?

Sim. Já temos duas, uma no Porto e em Lisboa, mas, para estarmos mais perto das pessoas que nos procuram, vamos abrir este ano mais 3. Abriremos novas instalações da Clínica da Mente em Braga, em Coimbra e em Oeiras. Temos como objetivo expandir este conceito clínico a todo o país, tanto através da abertura de mais clínicas como formando psicólogos que utilizem o modelo HBM nas suas práticas clínicas.

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