"Vamos confiar no tempo, vamos continuar a ser responsáveis"

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Desabafos de uma psicoterapeuta em Quarentena | Dia 22

Ao longo do dia, fui desejando uma feliz Páscoa e confesso que me senti, inicialmente, pouco assertiva quando o fiz. Como é que este dia poderia ser “feliz” se estamos longe uns dos outros e preocupados com quem amamos?

Hoje deveríamos estar todos juntos, a brindar à nossa saúde, e desejar que para o ano estejamos todos cá para festejar novamente. Este isolamento, para quem estiver atento, está a ser um poço de ensinamento. As perceções estão a mudar e compreendemos que a felicidade afinal é algo tão simples. Poder dar um abraço, falar com quem mais gostamos, sentir que temos um lugar no coração de alguém. Isto sim, é felicidade. Hoje, uma das coisas que não consegui fazer foi dar uns longos e merecidos abraços a quem está sempre presente na minha vida. Estamos numa espécie de jogo da paciência em que temos de permitir que o tempo faça o trabalho dele. 

Entretanto, o que fazemos?

Poderia estar a desenvolver toda uma explicação teórica à volta das melhores estratégias para lidar com tudo isso. A verdade é que este é o meu desabafo e só vos quero dizer: “vamos confiar no tempo”. Vamos continuar a ser responsáveis uns pelos outros, travar a propagação deste vírus, demora o tempo que for necessário. Uma coisa vos garanto, não há distância, nem vírus, nem nada, que nos possa afastar de quem mais gostamos. Assim sendo, vamos viver o tempo, travar todos os pensamentos negativos associados a esta fase e acreditar que um dia, haverá tempo para voltarmos a estar juntos e para valorizar cada momento, vivendo-os como sempre foram, singulares e especiais.

Um forte Abraço para ti,

Cécile

#haverátempo

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