Transtorno Bipolar

Transtorno Bipolar

Um olhar de outra perspectiva...

Por ISABEL GOMES

São muitas as questões em torno do transtorno bipolar. O que é? Quais os sintomas? Como diagnosticar? Há tratamento? A Psicoterapeuta Isabel Gomes esclarece estas e outras dúvidas que se colocam a propósito deste distúrbio.  

O que é o Transtorno Bipolar?

 O transtorno bipolar, ou transtorno afetivo bipolar, é, segundo os manuais de diagnóstico de transtornos mentais, uma doença que se caracteriza pela alternância, ao longo da vida, de episódios de mania e depressão, que podem ter durações e intensidade variáveis em diferentes momentos. Julga-se que exista uma série de fatores a determinar o desenvolvimento da doença, nomeadamente genéticos e ambientais, embora o stress e a personalidade também possam ter um papel relevante no desencadeamento das crises.

Os sintomas

A mania caracteriza-se por um humor exageradamente expansivo, autoestima exacerbada, pensamentos delirantes de grandiosidade, agitação psicomotora, aceleração do ritmo do pensamento e também da fala. Comportamentos desproporcionais aos factos ou inadequados ao ambiente. A capacidade de avaliação objetiva das experiências está ausente ou insuficiente (perda da realidade), com manifestações de raiva ou colocando-se em situações perigosas (até à própria vida). Quanto à manifestação clínica da depressão envolve humor deprimido (triste, vazio, sem esperança), choro fácil sem motivo aparente, acentuada diminuição de interesse ou incapacidade de sentir prazer em quase todas as atividades, pensamentos negativos (algumas vezes envolvendo ideação suicida), dificuldade de concentração, fadiga ou redução da energia.

Os sintomas causam sofrimento significativo e/ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em áreas significativas da vida do indivíduo, daí ser necessário ter as estratégias terapêuticas necessárias e adequadas para que seja possível o equilíbrio necessário a ter uma vida normal. Importante podem ser também as mudanças ao estilo de vida que fomentem a manutenção do equilíbrio, nomeadamente, ter rotinas de sono, evitar excessos de cafeína e drogas. Além de incluir o apoio à família, como elemento envolvida na própria dinâmica da doença.

Questões clínicas que se levantam

Sabendo que há efeitos secundários muito fortes a alguma medicação (e a outras substâncias psicotrópicas), assim como indivíduos mais sensíveis a algumas substâncias, efeitos que perduram além da toma, bem como personalidades mais enérgicas e exuberantes, quais os limites reais da hipomania?
E ainda, ao colocarmos dois estados opostos na emoção e no comportamento, que podem acontecer com intervalos de anos, num único transtorno, podemos correr o risco de assumirmos um prognóstico da incurabilidade de ambos? 

 

Outro olhar sobre o Transtorno Bipolar

E se em vez de um transtorno olhássemos clinicamente para dois? Um estado de mania e um estado depressivo, podendo até, algumas vezes, o segundo advir do primeiro. É dessa forma que o modelo psicoterapêutico HBM entende, que estamos perante dois diagnósticos, que ainda que existam numa mesma pessoa, em diferentes tempos, podendo ser alternâncias rápidas ou espaçadas, são dois estados com características diferentes. Se, por um lado, a mania é um estado de exaltação a diferentes níveis do comportamento, do pensamento e julgamento (nos estados mais graves, tocando a psicose), com alteração ao nível cerebral/neurológico; a depressão é um estado emocional, forte e constante, de emoções negativas associadas a experiências, que a nossa mente procura processar de forma a sair desse estado. Na mania a ajuda a prestar vai de encontro à prevenção e controlo das crises, com substâncias que atuem ao nível cerebral. O trabalho psicoterapêutico atua como complemento, apoiando o doente e capacitando-o com recursos para suportar as adversidades do estado. No estado depressivo, quando as emoções são tão intensas que o indivíduo não consegue libertar-se sozinho, então um trabalho psicoterapêutico conhecedor da mente humana, como o modelo HBM, compreenderá o indivíduo e a origem da dor emocional, ajudando-o a dissociar-se com técnicas psicoterapêuticas eficazes.

Comentários