Será que sou hipocondríaco? | Porto Canal

A nossa qualidade de vida e a nossa perceção de felicidade está sempre interligada com o nosso bem-estar físico. Embora na maioria das vezes só nos concentremos na saúde do nosso corpo quando este nos alerta de que algo não está bem, consciente e inconscientemente, o nosso principal valor é a vida e a nossa capacidade de sobrevivência. Assim, alertados por dores ou alterações físicas ficamos vigilantes e é a nossa preocupação sobre esses sinais que nos faz tomar as ações necessárias à proteção do nosso corpo.

No entanto, este processo normal de vigilância sobre o nosso estado de saúde pode tornar-se num distúrbio emocional quando nos tornamos obsessivos e hipervigilantes sobre a nossa condição física, ou seja, mesmo que não haja sinais alarmantes, a nossa preocupação pode tornar-se excessiva e mesmo bloqueadora do nosso bem-estar.

Hipocondria e Ansiedade

Designa-se por Hipocondria este estado de hipervigilância sobre o nosso estado de saúde. Muitas vezes descrito como uma doença, não passa de um estado de forte Ansiedade, ou seja, medo excessivo de podermos ter uma doença grave que culmine na própria morte. 

A Hipocondria é muitas vezes referida como a “Mania das Doenças”, tal é a preocupação que a pessoa demonstra. Esta preocupação desmedida limita a capacidade de discernimento e faz com que se instale a crença de que se está de facto doente, não se aceitando evidências do contrário.

Quais os sintomas que um hipocondríaco apresenta?

• Medo intenso de ter uma doença grave e de morrer dela (sem evidências concretas e sérias);

• Qualquer sintoma físico ou mesmo alterações físicas normais são considerados como sintomas graves de uma doença também ela grave;

• Visitas constantes a médicos e hospitais na tentativa de despistar qualquer doença que acreditar ter;

• Nunca acreditar nos diagnósticos que não dão evidências de doenças, mudando de médicos à procura de consecutivas opiniões.

• Estar em vigilância constante de sinais físicos anormais, bem como medir constantemente os seus sinais vitais, como a tensão arterial e o ritmo cardíaco em busca de alterações;

• Quando pensa numa doença ou lê sobre ela, crê que também a pode ter.

Em casos mais graves, as pessoas que sofrem desta perturbação recusam-se a ir ao médico e a fazer exames para não sofrerem com a notícia da sua suposta doença.

Porque me tornei uma pessoa "com a mania das doenças"?

Este distúrbio emocional, onde o medo sobre o estado de saúde toma formas verdadeiramente excessivas, tem origem no Distúrbio Cíclico da Ansiedade ou mais conhecido Síndrome dos Ataques de Pânico.

O Distúrbio Cíclico da Ansiedade (DCA) é um distúrbio emocional onde se tem medo de se sentir a própria Ansiedade. O medo é uma emoção e a Ansiedade é a sensação que acompanha essa emoção. Quando temos medo da sensação, mais sensação temos, gerando assim mais medo, e este processo mental entra em ciclo, criando uma espiral de Ansiedade.

Qual o tratamento mais indicado para a Hipocondria?

É muito importante referir que quem sofre deste distúrbio são pessoas “normais”, sem nenhum problema neurológico ou físico. Qualquer pessoa pode desenvolver este quadro de preocupação excessiva, basta para isso sentirem um Ataque de Ansiedade e inconscientemente este ficar associado ao medo de ter doenças graves.

Este distúrbio de Ansiedade, não sendo uma doença, não é tratado com recurso a psicofármacos que apenas atuam na mudança de estado físico, estando o seu problema a nível mental e emocional.

Como tal, quem sofre de Hipocondria deve procurar ajuda de um psicoterapeuta de forma a perceber qual o momento traumático que viveu e por sua vez, dissociar-se das emoções que o bloqueiam. 

O verdadeiro entrave ao tratamento desta perturbação é a vontade da pessoa, que não aceita que tem um distúrbio emocional. A família tem aqui um papel chave mostrando que se todos os profissionais de saúde dizem que não tem nenhuma doença física, é conveniente falar com um psicoterapeuta, para que este também dê a sua opinião.

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