A diferença entre o Baby Blues e a Depressão Pós-Parto

A disforia puerperal, também conhecida por Baby Blues, Blues Pós-Parto ou Melancolia Pós-Parto, embora esteja associada ao aumento da ocorrência de Depressão Pós-Parto, a verdade é que não é considerada uma perturbação psiquiátrica/psicológica. Importa por isso, esclarecer as diferenças entre Depressão Pós-Parto e Baby Blues.

O que é o Baby Blues?

Trata-se de um conjunto de alterações do humor, que se relacionam com o reequilíbrio hormonal que ocorre após o parto. Embora seja uma fase transitória, esta dificuldade de regulação das emoções surpreende a mulher, e deixa-a menos capaz de usufruir de uma fase que julgaria de enamoramento e felicidade.

Quais as causas?

Acredita-se que as causas são as intensas e bruscas alterações hormonais que advêm do nascimento do bebé. Toda a alteração física do corpo da mulher para conter um bebé ao longo de nove meses termina no parto, que é um momento, por si só, stressante. A adaptação hormonal feita para uma ligação com o bebé termina subitamente e começa um tempo de grande exigência que é o cuidado do bebé, de cansaço e de uma natural insegurança da mãe (principalmente de for de primeira viagem).

Quais os sintomas?

Os sintomas mais relatados passam pela Irritabilidade, Tristeza, Choro fácil, Cansaço, Insegurança, Preocupação excessiva com a saúde do bebé (mesmo estando bem), Dificuldade de concentração, Alterações no apetite.

Quando surgem os primeiros sintomas? Qual a duração?

Os sintomas aparecem nos primeiros dias após o parto, pelo 3º dia, e duram aproximadamente duas semanas.

É necessário tratamento? O que fazer para ultrapassar esta fase?

Apesar de este ser um estado de intensas alterações, são de curta duração. Aparecem e desaparecem espontaneamente, não sendo necessário qualquer tratamento. Aceitar que este é um estado comum e natural desta fase, que apesar de interferir na disposição não interfere no afeto e na ligação com o bebé. Partilhar este turbilhão de sensações e as tarefas, ajuda a aliviar a pressão e a auto-censura.

É importante falar sobre este tema? Porque devem as recém-mamãs falar sobre o que estão a sentir?

O tema da gravidez e da maternidade é extremamente idealizado, como se tudo a ele associado fosse “cor de rosa”. Na verdade, é um tempo extremamente exigente e difícil, com todas as mudanças que acarreta na vida de uma mulher, de um casal, além das mudanças físicas e emocionais. Obviamente que é também um tempo de um amor novo, que se está tão mais recetivo a ele, quanto tão mais preparado para as dificuldades. Há a consciência de uma nova responsabilidade, mas muitas vezes também, erradamente, a de a assumir sozinha. Quando se fala de uma percentagem que pode ir até 80% das mulheres é estranho que seja um tema tão pouco falado. Saber que este estado de labilidade emocional é vivenciado por tantas mulheres ajuda a redimensionar o problema, saber que é passageiro traz um alento, daí ser fundamental partilhar, ouvir outros casos, sentir-se escutada e entendida.

A família pode ajudar?

À família cabe o difícil papel de compreender o estado da mãe como algo natural desta fase e aceitar, sem censura. Com isso, permite não sobrecarregar ainda mais a mãe de pressão e exigência, que ela já tem em demasia. Esta é a primeira parte da ajuda, a segunda é acarinhá-la e participar no cuidado do bebé, para que a mãe se possa ir restabelecendo.

Quais as principais diferenças entre o Baby Blues e a Depressão Pós-Parto?

A Tristeza ligeira é uma reação a algum acontecimento (que no Baby Blues não tem que ser significativo) ou pensamento negativo, mas que passa com relativa rapidez, possibilitando que a vida aconteça e surjam outras reações e emoções, como o contentamento. A Depressão Pós-Parto é uma perturbação emocional que surge ou se torna evidente após o parto, que exige um acompanhamento especial pela intensidade e condicionamento na vida da mulher. Embora se diagnostique após o parto, a depressão está associada a algum acontecimento de vida mais negativo e doloroso, que não se consegue ressignificar, e que grande parte das vezes já está presente durante a gravidez. Existe aqui um quadro clínico que se mantém estável e que destabiliza de forma consistente o equilíbrio emocional da mãe, conduzindo a uma dificuldade em criar vínculo com o seu bebé e conduzir naturalmente a sua vida e cuidar de si. Neste caso, não passa espontaneamente ao fim das primeiras semanas e necessita de apoio, quer familiar, quer de técnicos especializados.

Quando devemos suspeitar de Depressão Pós-Parto?

Quando a liberdade e a capacidade de viver a própria vida se encontra limitada por um estado emocional de dor, tristeza e de mágoa do qual não se consegue libertar. Quando experimentamos um estado deprimido mais intenso não conseguimos usar dos nossos recursos, da nossa energia para viver a nossa vida, seguirmos os nossos objetivos, ficando, assim, condicionados pela ruminação da dor. Apesar de haver sintomas que são comuns aos dois estados, na depressão o estado é mais intenso e duradouro, com uma tristeza mais profunda e persistente, uma apatia e desinteresse mais alargada, conduzindo a uma dificuldade de criar ligação com o bebé.

Dicas essenciais para que tudo corra bem:

  • Saber que associado ao parto poderá haver instabilidade emocional, mas que não interfere na sua capacidade de amar e cuidar do seu bebé.
  • Partilhar com as pessoas mais próximas as suas dificuldades, os seus medos e as tarefas inerentes ao bebé ou à casa, de forma a que haja um pouco mais de cuidado de si.
  • Não haver censura por nem tudo ser perfeito, a começar pelo humor.
  • Estar atenta à intensidade do seu estado emocional, mais do que à variabilidade do mesmo. Se não for melhorando com o tempo e condicionar a capacidade de viver a sua vida, vale a pena ponderar receber apoio especializado.

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