"A vida vai ser ainda mais difícil. Não nos iludamos, vai ser mau"

Desabafos de uma psicoterapeuta em Quarentena | Dia 35

Dia após dia, estamos a reaprender a viver no meio desta crise sanitária, todos nós sabemos o que está a acontecer e infelizmente conhecemos as consequências que este vírus nos vai trazer (se já não o fez): problemas de saúde, perdas de entes queridos, desemprego, redução salarial, entre outros. Apesar dos elogios que o nosso país recebe por parte da própria OMS, não sabemos quando é que a vida irá retomar o seu ritmo social.

A incerteza continua a ser a principal variável permanentemente desestabilizadora. Perante o desconhecido, nutrimos a necessidade de encontrar uma resposta para reduzir o nível de desconforto sentido. Contudo, estudos têm reforçado a ideia de que, em algumas situações, o melhor é manter o grau de incerteza. 

Diariamente, somos assoberbados de notícias associadas à Covid-19, algumas são importantes outras são sensacionalistas e só servem para nos deixar ainda mais ansiosos e preocupados. Neste momento das nossas vidas, todos nós devemos conhecer, pelo menos, uma pessoa cuja principal preocupação parece ser a do vírus. Por muito que se tente conversar de outro assunto, conseguimos perceber o olhar perdido, o suspiro… No entanto a simples pergunta: “E tu como estás?” ativa toda uma postura tensa e um discurso acelerado e carregado de medos racionais e irracionais acerca do vírus, do futuro e da vida. 

Todos nós temos medo, é natural ter. A verdade é que ninguém sabe como vão ser os próximos meses. Sem dúvida, a vida vai ser ainda mais difícil. Não nos iludamos, vai ser mau. Contudo, sofrer por antecipação não nos leva a lado nenhum, antes pelo contrário, só nos deixa ainda pior e sem vontade para enfrentar o que aí vem. 

O processo de desconfinamento permite-nos ter mais liberdade, contudo, é importante lembrar que o vírus não desapareceu e que a sua propagação deve ser sempre travada. As recomendações da DGS e do próprio governo devem ser respeitadas, sob pena de voltarmos ao ponto de partida. Vamos todos ficar bem? Não sei… mas vamos pelo menos dar o nosso melhor para que aconteça. 

Cécile

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