Neste mês especial de maio, em que a Clínica da Mente quis homenagear as mães, gostaríamos de felicitar e reforçar o papel das mães mais velhas – diríamos antes, das mães mais experientes, por vezes avós ou “segundas mães”.

conjunto de mães mais experientes

Contextualizando: as mudanças sociodemográficas que se têm vindo a registar vieram criar um forte impacto na reorganização das estruturas familiares. Com as alterações nos índices de mortalidade e o consequente aumento da esperança média de vida surgiram novos valores e atitudes familiares que vieram, por sua vez, provocar mudanças nas relações entre progenitores e filhos adultos.

A estrutura familiar tornou-se multigeracional. As gerações, em vez de se sobreporem, coexistem, tendo sido alterada a sua dinâmica geral.

Duma realidade em que maioritariamente se ouvia falar na assistência prestada pelos filhos aos pais quando estes se tornavam idosos, passámos para uma realidade inversa.

Os filhos, quer pela precaridade de empregos como baixos salários, vivem hoje, até cada vez mais tarde, em casa dos pais, existindo uma grande dificuldade na sua emancipação económica e emocional.

Ora, essa emancipação tardia acarreta problemas no desenvolvimento tanto da identidade como da autonomia dos indivíduos, situação essa que acaba por se tornar pouco adaptativa.

Por outro lado, assistimos também hoje em dia, a um maior numero de divórcios e situações de desemprego em faixas etárias de indivíduos com vidas anteriormente estabilizadas e autónomas que se viram forçados a regressar a casa dos pais.

Seja por motivo de alteração conjugal ou de necessidade financeira, ficar de novo dependente dos pais e ter que se reger de novo pelas suas regras constitui, para o indivíduo, uma ferida na sua identidade que nem sempre, mas algumas vezes, pode provocar mau estar, conduzir a conflitos familiares ou mesmo outras práticas ou consumos, como por exemplo: ansiolíticos, antidepressivos, drogas, álcool ou mesmo suicídio.

Da mesma forma que para o filho que regressa, também estes progenitores vêem a sua vida alterada radicalmente.

É para estas mães – que, muitas vezes, já na idade da reforma acolhem de novo os seus filhos, privando-se da liberdade económica que haviam adquirido e de viver o que resta da sua vida de forma tranquila e prazerosa partilhando com a família o que têm e continuando a viver os seus problemas – que ficam aqui hoje as nossas palavras de apoio e admiração.


Texto de Catarina Ferreira, Psicoterapeuta

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