"Já que nos foi pedido o isolamento vamos então vivê-lo da melhor forma que soubermos"

Desabafos de uma psicoterapeuta em Quarentena | Dia 4

Portugal, um jardim plantado à beira-mar. Um cantinho tão bom, tão especial, Sentiamo-nos tão bem por cá. Porque aqueles acontecimentos terríveis (sismos, tsunamis…) que vão assombrando outros países, não nos perturbavam com tanta proximidade: “Que bom que é este cantinho”. Estávamos tão protegidos. Boa gente, boa comida, tradições e costumes tão nossos… E de repente vemo-nos todos unidos por um vírus, que nos agita as mentes e os corpos, que nos tira o sossego. E aquele povo que tanto gosta de receber, de interagir, vê-se forçado a parar, a entrar em casa…uns sozinhos, outros com a família. 

Já que nos foi pedido o isolamento vamos então vivê-lo da melhor forma que soubermos. Vamos encarar tudo isto não com um carácter de obrigatoriedade, mas antes como um momento de liberdade para escolher o que é melhor para nós. Fazemo-lo porque é genuinamente o mais correto e não permitamos sentir que estamos fechados em casa, mas antes que optamos por permanecer em casa. E se assim for somos capazes de encontrar na nossa casa os melhores silêncios, as melhores músicas, o melhor que cada um de nós tem…a Paz. Mas atenção, para termos paz temos de arregaçar as mangas e trabalhar. 

Então, o que estes dias me têm ensinado é que não posso “matar o tempo”. Eu tenho de viver. E dei por mim a ter as minhas tarefas mais organizadas, mas sem tempo obrigatório para as fazer. Vamos dar tempo a que o assado fique bem cozinhado… A que o grão de bico fique bem cozido, sem termos de o forçar a cozer com temperatura elevada… Dar tempo a que a cama possa ser feita mais logo… Dar tempo a que os miúdos desarrumem a casa… É importante desfrutar do tempo, empenharmo-nos naquilo que fazemos, por mais simples que seja, vamos atribuir um valor, uma finalidade a cada coisa que façamos.

“NÃO VAMOS PERDER TEMPO, PORQUE MATAR O TEMPO É MATAR A VIDA”

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