"É tão bom perceber que o caos fortalece o nosso espírito de união e de entreajuda"

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Desabafos de uma psicoterapeuta em Quarentena | Dia 26

Cá estamos nós preparados para enfrentar mais uma quinzena de isolamento. O nosso país tem estado em modo câmara lenta há sensivelmente um mês. Vivemos tempos estranhos em que para salvar vidas devemos apenas permanecer no conforto das nossas casas. 

No entanto, por muito que, meses atrás, desejássemos ter a oportunidade de estar mais uns dias em casa, esta medida repentina transformou-se num desafio psicológico. Dia após dia, oscilamos emocionalmente de acordo com o nosso estado anímico, as notícias ou até mesmo com o tempo. Andamos saturados, stressados e enervados sem saber muito bem porquê. 

No entanto, vamos fazer aqui um pequeno exercício… respirar fundo… desacelerar… e olhar para o outro lado do prisma…

Fazendo uma retrospetiva destas semanas, admito que sinto um orgulho imenso enquanto cidadã e ser humano. Dia após dia, são noticiadas situações que nos aquecem a alma. É tão bom perceber que o caos fortalece o nosso espírito de união e de entreajuda. 

(Bem sei que existem situações que desvendam o pior das pessoas…, mas calma… hoje, só quero falar de coisas boas) 

Neste momento que estamos todos a viver, apercebo-me que, cada vez mais, valorizamos o que é efetivamente importante. Nestas últimas semanas, fomos reduzindo a nossa vida ao mais simples. Antes do vírus, encontrávamos desculpas para não estar com as pessoas que gostávamos, adiávamos compromissos acreditando que iriamos ter tempo, os “depois ligo-te para combinar algo” e os “logo se vê” são substituídos hoje pelos “se soubesse”.

Confesso que eu própria tenho alguns “se soubesse” na minha mente que me têm assombrado nestes últimos dias. No entanto, não perco a esperança de que melhores dias virão. Entretanto, vamos continuar a despir-nos do que não é essencial e manter-nos cada vez mais genuínos connosco próprios. 

Até já,

Cécile

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