Como é que será ser criança nos nossos dias?

Já se perguntaram como é que será ser criança nos nossos dias?

Já se perguntaram porque é que, cada vez mais, os problemas que tipicamente estamos habituados a observar nos adultos, surgem também nas crianças?

Desde 1950 que se comemora o Dia Internacional da Criança. Em Portugal, celebra-se todos os anos a 1 de junho. Ainda muito há a fazer para que se cumpram os princípios da Declaração Universal dos Direitos da Criança e, no sentido de enaltecer a representação desta data, parece-nos importante refletir acerca do nosso real contributo, no mapa de influência de cada uma.

As crianças são vibrantes. Brincam. Desarrumam. São ruidosas e expansivas. Genuínas, ingénuas. Exigem dos adultos. As crianças são espontâneas, sonhadoras e autênticas.

Depois há aquelas crianças que se movem a “toque de caixa” das ordens e orientações. Percebem que não têm outra alternativa. Passam muito tempo a conter impulsos e não lhes resta tempo para serem crianças. Absorvem no corpo e na mente o peso das responsabilidades de prazos, normas e encaixes sociais e escolares. Forma-se-lhes uma barreira a tal ponto que deixam de conseguir ver e sentir que ainda são crianças.

Passam a ser menos crianças, e mais os medos. Medo de não conseguir. Medo de não ser capaz. Medo de não estar à altura. Medo do que possam pensar. Medo de não responder bem, de escrever torto ou do resultado incorreto. Esses medos que não nascem connosco e que nos fazem sentir dificuldades. Dificuldades na mente que passam para a ação quotidiana.

Ter dificuldades de aprendizagem não é o mesmo que ter insucesso escolar, desinteresse ou desmotivação. A Perturbação Específica da Aprendizagem não se relaciona com um quociente de inteligência baixo. Beethoven, Walt Disney, Bill Gates ou Tom Cruise são exemplos conhecidos que aprenderam a lidar com essas suas características na leitura, na escrita e no cálculo, e se desenvolveram de forma notável. Existem estratégias e métodos de intervenção que podem ser utilizados em crianças com Dificuldades de Aprendizagem Específica, de forma a ajudá-las a ultrapassar ou a minorar as suas dificuldades emocionais e comportamentais, para que se sintam novamente felizes e bem-sucedidas. 

Quanto mais precoce for a implementação destas estratégias, maior a probabilidade de os resultados alcançados serem melhores e mais consistentes. Não existe medicação que cure as Dificuldades de Aprendizagem Específicas, existem adaptações específicas à aprendizagem de cada criança. As crianças necessitam de ser amadas, protegidas, cuidadas e compreendidas de acordo com a fase do desenvolvimento humano que atravessavam e o seu próprio ritmo de crescimento único e individual.

Já se perguntaram como é que será viver com dificuldades? Ser criança e sentir-se diferente por não corresponder àquilo que dizem que devíamos saber ou fazer. Sentir que os outros sabem isso de nós, e nos passam a tratar conforme as nossas dificuldades, e não por aquilo que realmente somos e valemos noutras coisas que sabemos fazer bem.

Vivemos numa época muito difícil para as crianças. Permita que a sua criança seja efetivamente criança e brinque, cresça, explore. Dê-lhe autonomia para que aprenda por ela. Confie na sua criança, nos profissionais de saúde que escolheu para a acompanhar e perceba que crescer também implica sentir dificuldades a meio do caminho.

Feliz Dia da Criança a todos!

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