Angústia e alegria no primeiro dia de escola

O primeiro dia de creche, infantário ou escola traz muita ansiedade para as Mães, mas assume uma grande aprendizagem para todos.

Para as Mães, que passam intensos meses a viver para o seu bebé, dedicando-se exclusivamente ao bem-estar do filho, é natural que distanciar-se dele, mesmo que temporariamente, seja doloroso. Nos dias que antecedem o primeiro dia de creche/infantário/escola, a ansiedade tende a dominar o misto de sentimentos que se expressam por essa altura. O medo toma conta da mãe, para quem é impensável que alguém tome tão bem conta do seu bebé quanto ela.

Criança de costas de mão dada com a mãe no seu primeiro dia de escola

Quando a mãe deixa o seu filho na escola pela primeira vez, a ansiedade dá lugar à angústia que, por sua vez, se traduz nas lágrimas da mãe… Lágrimas de dor naquele “adeus” ao seu filho, lágrimas de medo de perdê-lo, um sentimento de culpa por deixá-lo na escola, medo de que algo de mal lhe aconteça, que se magoe e que ela não esteja lá para o proteger… mas são em simultâneo, lágrimas de quem se apercebe, naquele exato momento, que o tempo passou e que o seu bebé está a crescer.

Quando a criança já percebe o sofrimento da mãe, ao vê-la chorar, entende aquela situação como algo doloroso; ao perceber a ansiedade e a insegurança da mãe, a criança vai ter dificuldades na “separação” e na adaptação ao novo ambiente, além de sentir medo do abandono e insegurança também. Estes comportamentos da mãe, geram no filho questões como: “Porque é que a minha mãe está a chorar se me vem buscar mais logo?”

A ida da criança para a escola é um evento muito importante na vida de todos e, como tal, deve ser vivido o mais natural e tranquilamente possível. Daí que, acima de tudo, é muito importante que a mãe controle a sua ansiedade: quanto mais ansiosa está, mais ansiosos ficam os filhos. Quanto mais natural e tranquila a mãe se mostrar, melhor é para a criança. Para isto, “o primeiro dia” deve ser preparado com antecedência e é importante que a decisão sobre a escolha da creche/infantário/escola seja feita com segurança, pois é onde vão deixar o seu maior tesouro. É importante considerar várias opções, visitar mais do que uma, conhecer a futura educadora do seu filho, esclarecer todas as dúvidas que surjam e reunir o maior número de critérios satisfeitos para poder optar por aquela que melhor se enquadra nas suas expectativas.

Consoante a idade da criança é importante:

  1. Quando se trata da entrada para a creche, embora a criança possa estranhar o ambiente e a educadora, a integração tende a ser mais fácil para ela do que para a mãe, uma vez que o bebé ainda não tem a “noção” desta mudança. Mesmo assim, a adaptação deve ser feita gradualmente, isto é, durante, por exemplo, a semana que antecede o primeiro dia, ficar uma hora durante dois dias, depois uma manhã durante os três dias seguintes. Assim, o primeiro dia, será mais tranquilo para a mãe, que viu a adaptação do seu bebé à creche e já adquiriu recursos para gerir as saudades e a angústia.
  2. Quando a criança vai para o infantário, a sua integração pode passar por uma primeira visita, onde conhece a educadora, a sala, o espaço onde vai poder brincar com outras crianças… no primeiro dia, a motivação da mãe e sobretudo a segurança que passa ao filho, de que o vem buscar mais logo, são fundamentais para que a criança se sinta tranquila. A possibilidade de estar com o filho dentro da sala num primeiro momento também é muito importante. Esta experiência permite à mãe ver como as coisas acontecem de fato, como as educadoras cuidam e se relacionam com a criança, deixando-a tranquila.
  3. Na entrada para o primeiro ano, a experiência de envolver o filho na compra/escolha do material escolar, o entusiasmo com o primeiro dia de aulas, a ida para escola dos “crescidos”, o entusiasmo da mãe ajuda a criança a criar uma expectativa positiva em relação à escola. Ao ver e sentir o filho entusiasmado, motivado e feliz com o seu primeiro dia de escola, a mãe vai sentir-se mais descansada e serena.


Texto de Patrícia Raminhos, psicoterapeuta

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