Carla Bacalhau: De Prisioneira do Pânico a Mulher com Objetivos
Durante anos, os Ataques de Pânico controlavam cada momento da vida da Carla. Não conseguia sair de casa sozinha, deixou de se maquilhar, e o Natal deixou de ter sentido. Hoje, sente-se feliz e tem objetivos para a sua vida.
Aviso legal: Os resultados variam de pessoa para pessoa e dependem de múltiplos fatores clínicos. Estes testemunhos não constituem uma garantia de resultados.
"Hoje eu sinto-me feliz. Já não me sinto triste como eu me sentia antes. Comecei novamente a cuidar de mim. E tenho objetivos para a minha vida."
O Momento em que o Pânico Tomou Conta de Tudo
A Carla recorda com clareza o momento em que o primeiro grande Ataque de Pânico a apanhou de surpresa — dentro de uma sala de aula, incapaz de ir buscar uma simples ficha.
"Foi horrível. Foi mesmo, pronto, horrível... Mesmo. Eu estava na aula... Eu queria ir buscar a ficha só que eu não consegui ir buscar a ficha. Então aí comecei a sentir as minhas pernas a tremer. O meu coração... Uma dor profunda no meu coração que eu não conseguia... Sentia picadas, sentia-me toda a tremer."
A partir daí, o pânico instalou-se de forma persistente. Certas situações — como ter aulas com uma professora específica — tornaram-se gatilhos poderosos, mesmo sem qualquer razão lógica aparente.
"Quando ia ter aulas com aquela professora, era um pânico. Eu, só de pensar que ia ter aulas com aquela professora... Aquela professora nunca me tratou mal, nunca me fez nada. Só que... Eu ir àquela aula, para mim, era um pânico. Eu só de pensar que ia, antes de ir começava a sentir as dores todas."
Uma Experiência que Ninguém Consegue Compreender de Fora
Quem nunca viveu um Ataque de Pânico dificilmente consegue imaginar o que é. A Carla descreve com detalhe a intensidade física e emocional desses momentos — e a solidão de não ser compreendida.
"Se eu dizia às vezes a alguma amiga minha: 'Olha, hoje eu tive um Ataque de Pânico.' E elas perguntavam: 'Um Ataque de Pânico? Mas o que é um Ataque de Pânico?' Só que nós não sabemos explicar quando é que nós vamos ter um Ataque de Pânico."
A duração real de um ataque é de cerca de um quarto de hora — mas para quem o vive, parece uma eternidade. E quando termina, o corpo fica completamente esgotado.
"Para nós parece que é duas horas. Parece que o Ataque de Pânico nunca mais termina. E quando o Ataque de Pânico acaba, nós ficamos todas doridas. Dói-nos os músculos todos. E pronto, é horrível. Mesmo. Só quem passa pelas coisas é que sabe."
A Decisão de Procurar a Ajuda Certa
A Carla resistiu durante muito tempo à ideia de ir a psicólogos ou psiquiatras. Tinha tido experiências anteriores que a deixaram frustrada — sentia que ninguém chegava verdadeiramente ao cerne do seu problema. Mas havia um sítio que ela tinha em mente há muito tempo.
"Eu não queria ir a psicólogas, eu não queria ir a psiquiatras. Porque eu achava que o psiquiatra que ia dar a medicação, aquilo resolvia-se, mas não se resolvia... E ficava ainda pior. E então eu disse: 'Não. É assim, eu quero ir, quero partir para outra terapia.' E entretanto ouvia, muitas das vezes, a TVI ou a Fátima Lopes, o programa, e via os tratamentos que faziam e eu dizia à minha mãe: 'Mãe, eu, um dia, hei-de ir à Clínica da Mente.'"
Desde pequena que andava em psicólogos sem sentir que era verdadeiramente compreendida. Na Clínica da Mente, pela primeira vez, conseguiu falar sobre o que realmente se passava com ela.
"Eu estava farta já dos psicólogos. Porque eu ia a um psicólogo e eles não compreendiam aquilo que eu queria. Eles não iam ao meu... Assunto. E aqui não. Eu aqui consegui dizer o que é que se estava a passar comigo. Foi difícil, sim, ultrapassar aquela barreira. Mas... Valeu a pena."
Quando a Vida Perdeu o Sentido
Antes de iniciar o tratamento, a Carla chegou a um ponto em que já não conseguia sair de casa sozinha. Deixou de se maquilhar, de cuidar de si. Até o Natal — que sempre adorou — deixou de ter significado.
"As primeiras vezes, quando eu vinha, a minha mãe tinha que vir comigo, porque eu tinha medo de vir sozinha, porque eu não conseguia sair de casa. Eu, nessa altura, deixei-me de maquilhar. E eu não queria saber. Nessa altura, para mim, tanto fazia eu ir de vestido ou ir de pijama para a rua."
"Eu adoro o Natal, naquela altura, para mim, o Natal... Eu estava a desejar que aquilo acabasse. Eu queria era dormir e aquilo acabar, pronto."
A Transformação Sessão a Sessão
Com o avanço das sessões na Clínica da Mente, a Carla foi recuperando algo que parecia perdido: a confiança em si mesma. Pequenas coisas — como chegar atrasada sem entrar em pânico — tornaram-se grandes vitórias.
"À medida das sessões, aquilo tudo, fui conseguindo dar mais ânimo a mim mesma. Fui conseguindo ter mais autoconfiança em mim. De não ter medo. E de não me preocupar. Se, por acaso, chegasse um bocadinho atrasada, pronto, chegava, não havia problema."
Antes, atrasar-se cinco minutos era suficiente para desencadear um ataque. Hoje, essa pressão simplesmente desapareceu.
"Antes, se eu chegasse uns 5 minutos atrasada, por qualquer coisa, eu entrava em Pânico. Começava uma coisa mesmo... Agora já não penso. Pronto, cheguei atrasada, cheguei."
Hoje: Feliz, Cuidada e com Objetivos
A Carla de hoje é uma mulher diferente. Voltou a cuidar de si, voltou a ter alegria, e — o mais importante — voltou a ter objetivos para a sua vida. A mensagem que deixa a quem ainda está a lutar é clara: não desistir.
"Hoje eu sinto-me feliz. Já não me sinto triste, como eu me sentia antes. Comecei novamente a cuidar de mim. E tenho objetivos para a minha vida. Porque no primeiro dia, quando eu vim aqui, eu não tinha essas certezas, eu não tinha... Eu tinha muitas dúvidas porque eu dizia que não sabia se ia conseguir."
"Temos que ir à luta. E não é dizer: 'Ah, eu não vou conseguir.' Não! Eu vou conseguir! Eu vou conseguir! Isto vai desaparecer, não sei quando, mas vai!"
"Temos que ir à luta. E não é dizer: 'Ah, eu não vou conseguir.' Não! Eu vou conseguir! Eu vou conseguir! Isto vai desaparecer, não sei quando, mas vai!"
, Carla Bacalhau, ex-paciente da Clínica da Mente
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