A hiperatividade é estar num estado de mexer muito, de movimento constante, sem controlar. Quando estamos assim, temos mais dificuldade em estar atentos às coisas que nos rodeiam.

Há momentos em que não conseguimos aguentar toda a energia que temos dentro do corpo. Há dias em que somos capazes de correr sem parar, fazer um sprint de bicicleta ou simplesmente dar uns berros e a seguir, como que por magia, parece que ficamos mais aliviados, mais serenos.

criança elétrica com cabelos no arHá pessoas que sentem esta energia inesgotante mais vezes do que outras, e durante mais tempo. Estas pessoas nem sempre são bem entendidas.

A energia inesgotante passa a ser um problema quando a tua família sente que não fazes o que mandam e da maneira que mandam, quando na escola dizem que não sossegas e não te concentras. Nessa altura, nem tu próprio sabes bem como reagir a estas pressões que estás a sentir ao teu redor. Tu só sabes que o teu corpo tem que se mexer e a tua Mente só pensa em mexer o teu corpo. Isto acontece tanto mais, quanto mais nos sentimos presos, obrigados a comportarmo-nos da mesma maneira durante muito tempo.

Para percebermos melhor, vamos ver o caso do Rodrigo. O Rodrigo sempre foi ativo, nunca parava quieto mesmo no infantário. Sempre fez muitas atividades, ténis, futebol, natação, karaté e escuteiros. O Rodrigo tem energia para dar e vender! Sossega pouco tempo a fazer a mesma coisa e é despistado. Esquece-se do casaco, de horários, mas todos o adoram por ser divertido e descontraído. O Rodrigo sempre foi assim. Parece que vive no mundo da lua, vai para os testes quase sem estudar e muitas vezes não faz os trabalhos. Leva raspanetes na escola, recados na caderneta e faltas. Porque a professora não aguentava mais, um dia os pais do Rodrigo foram chamados à escola e depois levaram-no ao médico, o Rodrigo passou a tomar medicação para se acalmar e comportar-se como todos na turma dele. Dizem que tem a Síndrome de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA). Agora, o Rodrigo está diferente, parece que está oco por dentro, parado, perdeu a alegria que tinha.

Sabes que estás com um problema em dominar a tua energia e atenção, quando sentes em ti isto:

  • vontade de te mexer nas aulas, as mãos, os pés, as pernas, sentes que não consegues parar o teu corpo;
  • há matéria das aulas que não te lembras;
  • triste e culpado por não seres capaz de fazer o que os teus pais querem;
  • os professores nunca dizem bem de ti, têm sempre queixas, dizem que falas muito, não terminas as tarefas, estás sempre a interromper e és distraído e precipitado;
  • há colegas da turma que não gostam de ti;
  • ninguém compreende o que sentes, o que queres;
  • Medo e pressão;
  • o melhor da escola são os recreios, os intervalos, falar, divertir e as aulas de Educação Física.

MEDICAÇÃO?

rapaz não pára de se mexer saltita no campoSabias que as crianças portuguesas até aos 14 anos tomam mais de 5 milhões de doses por ano de psicofármacos da família das anfetaminas, como a Ritalina? Quem o diz é a Direção Geral da Saúde. Estes médicos e farmacêuticos querem tratar os problemas da desatenção, hiperatividade ou impulsividade. Mas sabias que a forma de diagnosticar e tratar este problema muda conforme o país onde estás? Ora vejamos, pelo menos 9% das crianças norte-americanas em idade escolar foram diagnosticadas com PHDA e estão medicadas, enquanto que, na Europa, em França a percentagem desce para 0,5%. Cada vez mais sabemos que existe uma forma imperfeita de perceber aquilo que são as energias naturais de uma criança.

Causas sociais que influenciam o comportamento e provocam sofrimento? Causas biológicas que explicam o desequilíbrio químico cerebral? Ou o mais importante é apenas esconder os sintomas, não importam as causas? O comportamento é uma doença? As dificuldades comportamentais são uma doença? Temos um problema ou somos diferentes? É demasiado importante dar as respostas certas a estas questões antes de influenciar os neurónios logo desde cedo com comprimidos. Alterando o modo do cérebro funcionar, alteramos a forma da Mente funcionar, alteramos a forma como a pessoa é, como vai ser, deixa de ser ela própria para passar a ser o resultado daquilo que os medicamentos fazem com ela.

Cada vez mais, a sociedade, com os ritmos que impõe, obriga a estarmos durante muitas horas seguidas num mesmo espaço, com as mesmas pessoas, a receber o mesmo tipo de estímulos no cérebro. À medida que o tempo vai passado, substituímos apenas a escola, pelo emprego. Ao final do dia, cada casa portuguesa recebe adultos impacientes e cansados e crianças com energia acumulada de horas sentadas nas cadeiras da escola. Há tarefas em casa para cumprir, há deveres da escola para fazer. As interações levam algumas vezes a birras, berros, discussões e lágrimas.

COMO AJUDAR NA PHDA?

A mudança no comportamento da criança vai acontecer se tudo o que a envolve também mudar. Aqui, a ajuda psicoterapêutica é muito importante porque vai ajudar a criança a libertar-se dos seus medos e tristezas. Mas é a família e a escola que envolvem a criança que têm de alterar as suas estratégias de ação. A Psicoterapia ajuda também a família a encontrar caminhos mais assertivos na gestão do comportamento errado.

 

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