Bullying é uma palavra inglesa que explica aquilo que os mais valentes (os bullies) fazem com os menos valentes. No emprego, os adultos também podem sofrer este tipo de violência, nesses casos chama-se Mobbing.

PORQUE É QUE O BULLYING EXISTE?

criança sozinha vítima de bullying isola-se triste

Todos os seres humanos nascem com uma necessidade de se sentirem “com significado”, ou seja, sentirem-se com importância, e procuram isso na sua vida porque só assim têm auto-estima. Certas pessoas não se sentem felizes e reconhecidas e usam da sua força junto dos outros para se sentirem fortes e conhecidas. Assim, vão buscar a sua importância ao medo das suas vítimas, tornam-se populares pela fraqueza dos outros. O agressor sente poder quando agride o mais fraco. O agressor usa a força, a agressão, porque não sabe outra forma de se tornar forte, não sabe o que há-de fazer para se sentir bem consigo próprio e valorizado junto dos outros. Então, o bullying diz respeito aos comportamentos agressivos, físicos e emocionais, ao longo do tempo, entre pessoas de idade parecida que têm uma força oposta, uma superior à outra. Nas situações de bullying estão envolvidos os agressores, as vítimas, as vítimas provocadoras (são simultaneamente agressores e vítimas) e os espectadores.

QUEM SÃO OS BULLIES, OS AGRESSORES?

Os agressores são violentos e ameaçadores, insinuam e impedem as vítimas de encontrarem ajuda. Os comportamentos agressivos são propositados: têm o objetivo de assustar, magoar, humilhar e apavorar a vítima. Não se trata de uma fase do crescimento, pelo que o bullying não pode ser ignorado ou desculpabilizado.

QUEM SÃO AS VÍTIMAS?

As vítimas são aquelas pessoas que parecem mais fracas, pelas suas características diferentes ou às vezes só porque elas próprias se acham vulgares. Este estado de fraqueza e inferioridade surge quase sempre pelo medo de rejeição e discriminação, as agressões gratuitas dos bullies promovem humilhação e vergonha que estão na base da baixa autoestima das vítimas.

QUE TIPOS DE BULLYING EXISTEM?

A todos os tipos de bullying está associado o bullying psicológico. Nos dias de hoje, o bullying já tem diversas formas, estas são as mais comuns:

  • físico (bater, empurrar, amarrar ou prender, dar bofetadas, murros ou pontapés, cuspir, morder, roubar dinheiro ou outros bens pessoais, rasgar roupa e/ou estragar objetos);
  • verbal (ameaçar, chamar nomes, chantagear, contar segredos ou levantar rumores);menina vítima de bullying chora desesperada
  • social (exclusão do grupo de pares, inventar mentiras, espalhar rumores, boatos ou comentários negativos ou humilhantes);
  • sexual (insultar ou fazer comentários de natureza sexual, obrigar à prática de atos sexuais);
  • cyberbullying (abuso através de meios eletrónicos e novas tecnologias da comunicação, espalhar informação falsa, assediar/perseguir, incomodar e/ou insultar através de SMS, MMS, e-mail, websites, chats, redes sociais);
  • homofóbico (preconceito em relação à orientação sexual ou identidade de género de outra pessoa, seja essa pessoa homossexual, heterossexual, bissexual ou transsexual, pode tomar a forma de bullying físico, sexual, verbal, social e/ou cyberbullying).

Sabes que estás numa situação de bullying, se está a acontecer isto contigo:

  • sentes que tens que te comportar de uma determinada maneira por causa dos outros;
  • por causa dos outros, mudaste a tua maneira de falar, de andar, de te comportares e de vestir, não usas aquilo que gostas com Medo de ser ridicularizado;
  • ficas nervoso quando estás com certas pessoas, não sabes bem o que dizer ou fazer;
  • tens medo de não ser aceite e que gozem contigo, por isso não contas a ninguém porque podes ainda ser mais perseguido ou podem não acreditar em ti e afastarem-se de ti;
  • sentes-te perseguido, que estão a olhar para ti, a dizer mal de ti.

AS VÍTIMAS REAGEM?

As vítimas deixam de reagir quando percebem que não são capazes de enfrentar o agressor, e pensam que se reagirem à violência, vão sofrer ainda mais agressões. Passamos a acreditar que certa experiência pode trazer-nos dor, pela comparação com outras experiências que vivemos no passado, onde também sentimos dor. Desta forma, às vezes nem nos apercebemos que as coisas que fazemos no presente têm a ver com as aprendizagens que fizemos no nosso passado e, assim, estamos a fugir à dor, porque temos Medo de voltar a viver experiências de dor.

Para percebermos melhor, vamos ver o caso do Ricardo.

O Ricardo foi agredido e gozado na escola e, à medida que o tempo foi passando, deixou de confiar nos outros, de querer estar com eles, e começou a afastar-se cada vez e mais, ao ponto de se isolar em casa. Inconscientemente, o Ricardo tem Medo de voltar a estar com outras pessoas e voltar a sentir-se agredido e gozado. E, mesmo sabendo racionalmente que não o será, a reação instintiva da Mente do Ricardo é a de fugir a estas experiências de dor do passado dele. O Ricardo fica corado, com o coração a bater muito depressa e só a pensar que quer sair dali. Passou a ficar agressivo com a família dele e com os colegas que o tentam ajudar. Percebeste melhor?

 

Nos casos mesmo muito graves, as vítimas fazem mal a elas próprias, automutilam-se para fazer abrandar a sua dor ou cometem atos suicidas.
Na Clínica da Mente, utilizamos o modelo psicoterapêutico HBM para intervir nos estados mentais perturbadores, alterando a forma de sentir as experiências que levaram a entrar nesse estado emocional de dor, aumentando a sua estima, fazendo com que saiam do estado de fraqueza conseguindo reagir ao Bullying, demonstrando a todos que não são fracos.

 

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