Perturbações mentais são todos os conflitos emocionais que a criança tem que lhe trazem infelicidade.

Existem três fatores que condicionam o bem-estar mental da criança: Fatores Ambientais, Emocionais (distúrbios) e Biológicos.

Fatores Ambientais:

A criança é um ser humano em formação. Ao longo dos seus primeiros 18 anos de vida, a criança apreende a cultura da sociedade no ambiente que a envolve.

Esta aprendizagem é fundamental para um correto enquadramento social. Só somos felizes se os nossos comportamentos não entrarem em conflito com a sociedade. Então, só a correta aprendizagem dos valores e crenças, ou seja, da cultura do nosso povo, nos deixa sentir seguros e integrados.

Por processos de aprendizagem errados, tais como a convivência familiar desestruturada, falta de disciplina, bullying e as mais diversas formas de violência e agressões, as crianças desenvolvem valores e crenças errados que os tornam diferentes dos outros, com comportamentos que os isolam da sociedade, que dificultam a integração social, criando conflitos internos como a Depressão, Ansiedade, Perturbações Obsessivo-Compulsivas, Fobia Social, entre outros.

Tratamento: Cabe aos tutores (Pais, familiares e professores) mudarem as circunstâncias ambientais que levam à perturbação do jovem, quer seja mudar a atitude educacional como capacitando o jovem com uma estrutura emocional mais reativa, adequada ao ambiente em que ele vive. O tratamento psicoterapêutico é necessário na correção de estados já perturbadores.

Fatores Emocionais:

Tal como os adultos, as crianças podem desenvolver comportamentos perturbadores do seu bem-estar mental, como os Ataques de Pânico, Pensamentos Obsessivos e Depressão por Angústia, como resultado de distúrbios emocionais. Um distúrbio emocional acontece quando há uma má perceção da experiência que se vive. Estes erros de entendimento sobre o que sentimos podem levar a um distúrbio mental, em que sentimos sensações de mau estar contínuas sem razões aparentes, como a Perturbação Cíclica da Ansiedade (Ataques de Pânico) ou a Perturbação Cíclica da Angústia (Depressão por Angústia).

Tratamento: Intervenção Psicoterapêutica adequada na mudança de perceções das experiências vividas.

Fatores Biológicos:

A genética humana é semelhante entre os indivíduos. No entanto, nalguns seres humanos observam-se alterações genéticas que definem um padrão comportamental diferente dos demais. O cérebro, sendo um órgão do corpo humano, pode, em alguns indivíduos, desenvolver características diferentes.

Algumas crianças são diferentes no seu comportamento, por causa do seu diferente cérebro: estamos a falar dos jovens com Autismo, Asperger, Esquizofrenia, Demência, entre outras. Estas doenças do cérebro condicionam os comportamentos, desenquadrando a criança com o meio que a envolve, criando infelicidade e mau estar na criança.

Tratamento: O principal tratamento é aceitar essas crianças como diferentes, com características comportamentais próprias - mas crianças. Compreendendo a diferença e interagindo com as crianças respeitando as suas diferenças, estamos a criar crianças felizes. Não é isso que queremos? Crianças felizes?

Só nos fatores biológicos deverá ser admissível o uso de psicofármacos, pois nos casos de perturbações Ambientais e Emocionais, os psicofármacos apenas atuam nos sintomas, afetando a capacidade da criança de viver uma infância com energia e a vitalidade normal necessárias à correta aprendizagem.

Texto de Pedro Brás, Psicoterapeuta HBM

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