Bullying

Bullying é uma palavra inglesa que define a ação cruel do Valentão (Bully) sobre os mais fracos. Esta terminologia está mais associada a violência exercida num contexto escolar; na vida profissional, a terminologia mais usada para o mesmo fenómeno de violência é o Mobbing.

Porque razão se faz o Bullying?

Todos os seres humanos tem uma necessidade de significância, isto é, sentir-se com significado, com importância. Quanto mais significado damos à nossa vida, mais nos estimamos, aumentando a nossa autoestima. Quanto mais importância tivermos junto dos demais, mais nos sentimos integrados no grupo social a que pertencemos, mais somos necessários aos outros, e estar integrado com os outros é vital para a nossa sobrevivência, valor básico da nossa personalidade.

Muitas vezes, a vida que levamos, as agressões que sofremos no seio familiar e social, fazem baixar essa estima de que tanto precisamos para nos sentirmos felizes e integrados. A falta de uma boa educação social que alguns jovens têm, provocada muitas vezes por uma educação social deficiente também dos seus pais, leva a que, na falta de recursos sociais normais, seja através da força imposta aos outros, aproveitando a fraqueza deles, que esses jovens conseguem a significância da sua existência. Vão buscar a sua importância ao medo dos outros, pois o medo traz a submissão, submissão ao mais forte, a força é poder, o poder e o medo agregam o conjunto social que nos rodeia. Assim, o agressor agride o mais fraco para se sentir integrado na sociedade, utiliza a força, a agressão, pois, por deficiência cultural e de educação social, não tem mais recursos intelectuais que o façam ser forte.

Quem são os bullies, os agressores?

Os agressores são, na maior parte das vezes, jovens vítimas da sociedade. Vítimas de uma sociedade desestruturada, onde a educação e as oportunidades não são iguais para todos. Passa pelos pais deles, e antes disso pelos pais dos pais... A falta de tempo que os pais dedicam aos filhos, a falta de amor, amizade e compreensão, as dificuldades económicas, a violência doméstica, entre outros fatores, quebram o elo de ligação do jovem à vida social saudável. Os jovens à deriva formam a sua personalidade sem tutoria de pessoas mais avisadas, descobrindo apenas com os seus amigos os caminhos certos a seguir, mas os amigos também não sabem quais são os caminhos certos, então partem à descoberta do seu espaço, errando e sem orientação. Assim, os valores familiares e da boa convivência social não se passam entre as gerações, a vida passa a ser uma selva e na selva reina o mais forte. É a lei natural da sobrevivência. Numa vida familiar equilibrada, com valores sociais que ajudam o jovem a se integrar na sociedade, a sobrevivência não está em causa, e por isso não se precisa ser o mais forte.
Outras vezes os agressores são jovens bem estruturados socialmente, mas, por medo de também serem agredidos ou por ignorância dos efeitos que estão a provocar na vítima, acompanham nas agressões dos verdadeiros "bullies".

Quem são as vítimas?

As vítimas são os jovens que pareçam ser os mais fracos. Como o agressor é alguém que usa a força física como última arma de influência sobre os outros, quem parecer aos olhos do agressor o mais frágil fisicamente passa a ser alvo da sua influência agressiva, quer seja pela violência psicológica ou física.

Ser "fraco" é um estado que cada um incorpora. Ser "fraco" é um estado que parte da vítima pela sua baixa autoestima, provocada por inerência a si mesmo, como por exemplo ter características físicas e psicológicas que sejam diferentes dos outros, gerando medo de rejeição e discriminação, ou a baixa autoestima provocada por agressões gratuitas de quem os rodeia, em que a humilhação, a vergonha e o medo os fazem entrar num estado de fraqueza e inferioridade sobre os outros.

As vítimas reagem?

No último estágio da agressão não. As vítimas de violência perdem o poder de reação quando percebem a sua incapacidade de lidar com o agressor, pensando que se reagirem à violência sofrerão mais agressões.

Que consequências futuras traz o Bullying para as vítimas?

As vítimas de Bullying podem gerar, no futuro, comportamentos agressores. Os jovens vítimas de agressão ficam tão revoltados, entram em estados de angústia tão fortes, que podem, como reação emocional, procurar elementos mais fracos do que eles para encontrarem a sua significância, passando a ser eles mesmos os futuros "bullies". Mais tarde, no seio familiar, podem exercer sobre a própria família essa violência.

Os estados de angústia podem ser tão fortes que, na ausência de soluções, os jovens podem encontrar no suicídio a única solução. Infelizmente, a taxa de suicídio nos jovens vítimas de Bullying é enorme, mais do que qualquer sociedade moderna pode admitir.

Em todos os casos, o Bullying provoca medo do contacto social, receio da agressão, baixa autoestima, revolta e conformismo. Estes estados podem perdurar para toda a vida.

Como parar este flagelo?

O problema não começa nem acaba no jovem agressor: atravessa as gerações de pais e filhos. Deve-se começar pela educação cívica, por transmissão de valores familiares e sociais fortes por parte dos tutores desses jovens. É essencialmente um problema de educação, uma educação que os avós dos jovens não deram aos pais deles e que eles muito provavelmente não darão aos seus filhos. Assim, deve haver uma intervenção corretiva do estado, ou seja de todos nós.

Em primeiro lugar, a família deve defender e proteger os jovens de todos os agressores. Devem perceber que, quando o jovem está triste, há alguma causa para esse estado... e que o jovem muitas vezes não quer contar, por vergonha ou por saber que os pais nada podem fazer. Mas os pais podem fazer muito: podem defender as suas "crias" com unhas e dentes, falando com os professores, com os pais dos agressores (também eles jovens), acusando os agressores judicialmente, protegendo da forma que cada um melhor souber... mas PROTEGENDO e acarinhando. Nunca um pai pode ficar indiferente a uma agressão a um filho, embora muitos fiquem, pensando que é normal os miúdos se agredirem, e que os filhos têm que ser fortes.

Não interessa o que fazem ao seu filho, o que interessa é o que ele sente quando o agridem.

Em segundo lugar, deve-se responsabilizar quem faz e quem permite as agressões. Os pais dos jovens agressores têm que ser responsáveis pelos seus filhos menores de idade. O Estado tem que responsabilizar criminalmente os pais pelos comportamentos dos filhos. Um exemplo da responsabilização que o Estado poderia fazer com os pais seria o pagamento em dinheiro de diversas multas, como por agressões, mau comportamento escolar, as faltas dos filhos às aulas, entre outros comportamentos condenáveis. Assim assistir-se-ia ao acompanhamento "forçado" dos pais aos comportamentos dos seus filhos, pois ninguém gosta de pagar multas.

Em terceiro lugar, dever-se-ia utilizar a censura pública como ferramenta dissuasora do comportamento violento, para que todos os agressores saibam que, ao exercerem violência sobre os outros, vão ser desenquadrados do meio social, em vez de temidos.

Em quarto lugar, deve-se ajudar as vítimas no processo da queixa, criando ferramentas de proteção ativa à vítima. Exemplo disso seria a escola ter espaços de resolução de conflitos com capacidade de intervenção penal e disciplinar urgente que dissuadisse qualquer tentativa de violência sobre os outros.

Em quinto lugar, criar campanhas de sensibilização sobre a temática da violência juvenil, para que toda a sociedade perceba que este tipo de violência sobre os jovens causa muito sofrimento e que molda significativamente a personalidade da vítima.

O que fazer para aliviar a dor da Vítima? Como recuperar o seu estado emocional?

A violência pode deixar marcas profundas na personalidade e no bem estar do jovem, podendo criar estados de Depressão e de Ansiedade, potenciando comportamentos inconscientes de Automutilação, de anorexia, e o permanente estado de Angústia que não permite que o jovem consiga reagir às agressões que sofre ao sentir-se diminuído, fraco e humilhado.

No futuro, a vítima pode também tornar-se agressor, ou não sair mais do estado de fragilidade emocional, que derivará para estados de ansiedades constantes, com a sua autoestima tão baixa que poderá ser alvo constantes de agressões pelos outros "bullies" da vida.

Assim, deve-se intervir no estado mental dos jovens, alterando a sua perceção sobre as experiências que os levaram a entrar nesse estado emocional de dor, aumentando a sua estima, fazendo com que saiam do estado de "fraqueza" conseguindo reagir ao Bullying, demonstrando a todos que não são "fracos". Tal é possível através de técnicas psicoterapêuticas assertivas e eficazes.

Na Clínica da Mente, utilizamos o modelo psicoterapêutico HBM, que se tem mostrado muito eficaz na alteração dos estados mentais perturbadores e eficiente no tempo de intervenção.

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