Imagine estar a desfrutar de um momento calmo, a ler um livro, a ver televisão, ou a conversar com amigos, e de repente sentir o coração acelerar, a respiração tornar-se difícil, tonturas e uma sensação intensa de que algo terrível está prestes a acontecer. Mesmo sem uma ameaça real, o corpo reage como se estivesse em perigo iminente. Porque acontece isto?
"É como se o seu corpo acreditasse que está perante uma ameaça, mesmo quando não existe perigo algum."
Stress acumulado: o reservatório invisível
Mesmo que não esteja sob pressão imediata, o stress pode acumular-se no corpo ao longo do tempo. Preocupações financeiras, problemas no trabalho, questões familiares, tudo isto vai-se acumulando sem que perceba. O corpo armazena essa tensão, e eventualmente esse stress acumulado pode manifestar-se num ataque de pânico, mesmo que não se sinta particularmente ansioso naquele momento específico.
Hipervigilância: o corpo em modo de alerta permanente
Após o primeiro ataque de pânico, muitas pessoas tornam-se extremamente sensíveis a qualquer alteração física no corpo. Um pequeno aumento no batimento cardíaco, uma ligeira tontura, ou até um suspiro mais profundo podem ser suficientes para desencadear o medo de um novo ataque. Esta hipervigilância cria um ciclo de ansiedade onde o corpo está constantemente à procura de sinais de perigo.
Gatilhos emocionais inconscientes
Há também a possibilidade de os ataques de pânico estarem a ser desencadeados por gatilhos que não está consciente de imediato. Pode ser algo tão simples como um som, um cheiro, ou uma situação que o faz lembrar inconscientemente do primeiro ataque. Mesmo que não consiga identificar esses gatilhos, o seu corpo está a reagir automaticamente ao medo que associou a esses momentos.
Entender a base dos ataques de pânico é um acto de empoderamento. Quando deixa de temer os sintomas, começa a recuperar o controlo. E é a partir daí que tudo muda. O primeiro passo para deixar de temer os ataques de pânico é compreendê-los. O segundo é tratá-los.
Referências Científicas
- Saiz-Masvidal, C. et al. (2024). Uncovering the correlation between neurotransmitter-specific functional connectivity and multidimensional anxiety. European Archives of Psychiatry and Clinical Neuroscience.


