Está sentado tranquilamente, ou talvez a dormir, e de repente o coração começa a bater muito rápido, a respiração fica difícil, e uma sensação de alarme toma conta de si. Os exames cardíacos dizem que está tudo bem. Então o que está a acontecer? Estes sintomas são frequentemente manifestações físicas de ansiedade ou de ataques de pânico.
A ligação entre ansiedade e sintomas cardíacos
O sistema nervoso autónomo, que controla funções involuntárias como o batimento cardíaco e a respiração, é profundamente influenciado pelo estado emocional. Quando o cérebro percebe uma ameaça (real ou imaginada), activa o sistema nervoso simpático, que aumenta imediatamente a frequência cardíaca e a frequência respiratória para preparar o corpo para a acção.
Por que acontece sem razão aparente
A sensação de que os sintomas surgem 'sem razão' é comum, mas enganadora. Frequentemente, há gatilhos que não são imediatamente óbvios: um pensamento ansioso inconsciente, uma memória associada a uma situação de stress, ou simplesmente o estado de alerta crónico do sistema nervoso após períodos prolongados de stress.
Causas frequentes de palpitações e falta de ar sem causa médica:
- ✦Ansiedade generalizada, estado de alerta crónico do sistema nervoso
- ✦Ataques de pânico, activação súbita e intensa do sistema de alarme
- ✦Hiperventilação crónica, padrão respiratório que mantém o sistema nervoso activado
- ✦Stress acumulado, tensão que se manifesta fisicamente
- ✦Privação de sono, reduz a capacidade de regulação do sistema nervoso
- ✦Consumo excessivo de cafeína, estimulante que pode desencadear palpitações
Quando excluir causas cardíacas
É sempre importante excluir causas cardíacas com um médico antes de atribuir os sintomas à ansiedade. Arritmias, hipertiroidismo e outras condições médicas podem causar sintomas semelhantes. Uma vez excluídas as causas físicas, o foco deve passar para a saúde emocional.
Palpitações e falta de ar por ansiedade são reais, e tratáveis. Com o apoio adequado, é possível regular o sistema nervoso, reduzir a hipervigilância e eliminar estes sintomas perturbadores.
Referências Científicas
- Meuret, A. E., Kroll, J., & Ritz, T. (2017) (2017). Panic Disorder Comorbidity with Medical Conditions and Treatment Implications. Annual Review of Clinical Psychology.
- Roth, W. T. (2005) (2005). Physiological markers for anxiety: Panic disorder and phobias. International Journal of Psychophysiology.
- Robinaugh, D. J., Ward, M. J., Toner, E. R., Brown, M. L., Losiewicz, O. M., Bui, E., & Orr, S. P. (2019) (2019). Assessing vulnerability to panic: a systematic review of psychological and physiological responses to biological challenges as prospective predictors of panic attacks and panic disorder. General Psychiatry.


