Durante um ataque de pânico, o corpo entra em modo de emergência total, e faz isso em segundos. O coração acelera, a respiração torna-se difícil, as mãos ficam frias e suadas, e uma sensação avassaladora de terror toma conta de si. Mas o que está exactamente a acontecer dentro do seu corpo? Compreender a fisiologia de um ataque de pânico pode ser profundamente libertador.
O papel da amígdala: o detector de ameaças
Tudo começa na amígdala, uma pequena estrutura em forma de amêndoa no interior do cérebro, responsável por detectar ameaças e activar a resposta de emergência. Em pessoas com tendência para ataques de pânico, a amígdala torna-se hipersensível e dispara alarmes de emergência em situações que não representam perigo real. Este processo acontece em milissegundos, muito antes de a parte racional do cérebro ter tempo de avaliar a situação.
A cascata hormonal: adrenalina e cortisol
Quando a amígdala activa o alarme, o cérebro envia um sinal imediato às glândulas supra-renais para libertarem adrenalina e cortisol. Estes hormonas preparam o corpo para 'lutar ou fugir': o coração acelera para bombear mais sangue para os músculos, a respiração torna-se mais rápida para aumentar o oxigénio, os vasos sanguíneos periféricos contraem-se (causando mãos frias), e os músculos ficam tensos e prontos para a acção.
Por que os sintomas são tão assustadores
O paradoxo cruel dos ataques de pânico é que os próprios sintomas físicos, o coração a bater rápido, a dificuldade em respirar, são interpretados pelo cérebro como sinais de perigo adicional, o que intensifica ainda mais a resposta de alarme. É um ciclo de feedback positivo que se auto-alimenta: medo → sintomas físicos → mais medo → sintomas mais intensos.
O que acontece em cada sistema do corpo:
- ✦Coração: acelera (taquicardia) para bombear mais sangue para os músculos
- ✦Pulmões: a respiração acelera (hiperventilação), podendo causar tonturas e formigueiro
- ✦Vasos sanguíneos: contraem-se na periferia, causando mãos e pés frios
- ✦Músculos: ficam tensos e prontos para a acção, causando tremores
- ✦Sistema digestivo: a digestão abranda, causando náuseas ou dores abdominais
- ✦Pupilas: dilatam-se para melhorar a visão, causando sensação de irrealidade
- ✦Pele: suda para arrefecer o corpo, causando suores frios
Como interromper o ciclo
Compreender que os sintomas são causados por uma resposta de emergência do sistema nervoso, e não por uma doença cardíaca ou outro perigo real, é o primeiro passo para os desactivar. A respiração diafragmática lenta activa o sistema nervoso parassimpático (o 'modo de descanso'), que contrabalança a resposta de alarme e reduz gradualmente os sintomas.
Um ataque de pânico é aterrorizador, mas não é perigoso. O seu corpo está a fazer exactamente o que foi programado para fazer perante uma ameaça percebida. Com o tratamento adequado, é possível 're-programar' a resposta do sistema nervoso e eliminar os ataques de pânico.
Referências Científicas
- Goddard, A. W. (2017) (2017). The Neurobiology of Panic: A Chronic Stress Disorder. Chronic Stress (Thousand Oaks).
- Guan, X., & Cao, P. (2023) (2023). Brain Mechanisms Underlying Panic Attack and Panic Disorder. Neurosci Bull.
- Moraes, A. C. N., Wijaya, C., Freire, R., Quagliato, L. A., Nardi, A. E., & Kyriakoulis, P. (2024) (2024). Neurochemical and genetic factors in panic disorder: a systematic review. Translational Psychiatry.


