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Entender o Que Acontece no Seu Corpo Durante um Ataque de Pânico

Compreender a fisiologia de um ataque de pânico pode transformar o terror em conhecimento, e o conhecimento em controlo.

22 de fevereiro de 20268 minutos de leituraPor Equipa Clínica da Mente
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Equipa Clínica da Mente

Especialistas em Psicoterapia HBM

Mulher com mão no peito durante um ataque de pânico

Durante um ataque de pânico, o corpo entra em modo de emergência total, e faz isso em segundos. O coração acelera, a respiração torna-se difícil, as mãos ficam frias e suadas, e uma sensação avassaladora de terror toma conta de si. Mas o que está exactamente a acontecer dentro do seu corpo? Compreender a fisiologia de um ataque de pânico pode ser profundamente libertador.

O papel da amígdala: o detector de ameaças

Tudo começa na amígdala, uma pequena estrutura em forma de amêndoa no interior do cérebro, responsável por detectar ameaças e activar a resposta de emergência. Em pessoas com tendência para ataques de pânico, a amígdala torna-se hipersensível e dispara alarmes de emergência em situações que não representam perigo real. Este processo acontece em milissegundos, muito antes de a parte racional do cérebro ter tempo de avaliar a situação.

A cascata hormonal: adrenalina e cortisol

Quando a amígdala activa o alarme, o cérebro envia um sinal imediato às glândulas supra-renais para libertarem adrenalina e cortisol. Estes hormonas preparam o corpo para 'lutar ou fugir': o coração acelera para bombear mais sangue para os músculos, a respiração torna-se mais rápida para aumentar o oxigénio, os vasos sanguíneos periféricos contraem-se (causando mãos frias), e os músculos ficam tensos e prontos para a acção.

Por que os sintomas são tão assustadores

O paradoxo cruel dos ataques de pânico é que os próprios sintomas físicos, o coração a bater rápido, a dificuldade em respirar, são interpretados pelo cérebro como sinais de perigo adicional, o que intensifica ainda mais a resposta de alarme. É um ciclo de feedback positivo que se auto-alimenta: medo → sintomas físicos → mais medo → sintomas mais intensos.

O que acontece em cada sistema do corpo:

  • Coração: acelera (taquicardia) para bombear mais sangue para os músculos
  • Pulmões: a respiração acelera (hiperventilação), podendo causar tonturas e formigueiro
  • Vasos sanguíneos: contraem-se na periferia, causando mãos e pés frios
  • Músculos: ficam tensos e prontos para a acção, causando tremores
  • Sistema digestivo: a digestão abranda, causando náuseas ou dores abdominais
  • Pupilas: dilatam-se para melhorar a visão, causando sensação de irrealidade
  • Pele: suda para arrefecer o corpo, causando suores frios

Como interromper o ciclo

Compreender que os sintomas são causados por uma resposta de emergência do sistema nervoso, e não por uma doença cardíaca ou outro perigo real, é o primeiro passo para os desactivar. A respiração diafragmática lenta activa o sistema nervoso parassimpático (o 'modo de descanso'), que contrabalança a resposta de alarme e reduz gradualmente os sintomas.

Um ataque de pânico é aterrorizador, mas não é perigoso. O seu corpo está a fazer exactamente o que foi programado para fazer perante uma ameaça percebida. Com o tratamento adequado, é possível 're-programar' a resposta do sistema nervoso e eliminar os ataques de pânico.

Referências Científicas

  1. Goddard, A. W. (2017) (2017). The Neurobiology of Panic: A Chronic Stress Disorder. Chronic Stress (Thousand Oaks).
  2. Guan, X., & Cao, P. (2023) (2023). Brain Mechanisms Underlying Panic Attack and Panic Disorder. Neurosci Bull.
  3. Moraes, A. C. N., Wijaya, C., Freire, R., Quagliato, L. A., Nardi, A. E., & Kyriakoulis, P. (2024) (2024). Neurochemical and genetic factors in panic disorder: a systematic review. Translational Psychiatry.
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