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Ataques de Pânico: Sintomas, Causas e Tratamento Eficaz

Um ataque de pânico pode ser aterrorizador, mas é tratável. Saiba exactamente o que acontece no seu corpo, porque ocorre e como parar o ciclo do pânico de vez.

19 de março de 202611 minutos de leituraPor Equipa Clínica da Mente
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Equipa Clínica da Mente

Especialistas em Psicoterapia HBM

Pessoa com mão no peito durante um ataque de pânico, expressão de angústia

Imagine que está no supermercado, numa reunião de trabalho, ou simplesmente em casa a ver televisão, e de repente o coração dispara, a respiração torna-se difícil, as mãos ficam frias e suadas, e uma sensação avassaladora de terror toma conta de si. Pensa que vai morrer. Ou enlouquecer. Ou desmaiar. Isto é um ataque de pânico, e afecta cerca de 2 a 3% da população portuguesa em algum momento da vida.

O que é exactamente um ataque de pânico?

Um ataque de pânico é um episódio súbito e intenso de medo extremo que desencadeia reacções físicas graves, mesmo quando não existe perigo real ou causa aparente. O cérebro activa o sistema de alarme de emergência, a resposta de "luta ou fuga", de forma desproporcionada e inesperada. O resultado é uma cascata de sintomas físicos e psicológicos que podem ser absolutamente aterrorizadores para quem os vive pela primeira vez.

Sintomas de um ataque de pânico: o que sente o corpo

Segundo o DSM-5, um ataque de pânico é definido pela presença súbita de pelo menos 4 dos seguintes sintomas, atingindo o pico em minutos:

  • Palpitações, coração a bater forte ou acelerado (taquicardia)
  • Sudorese intensa
  • Tremores ou estremecimentos
  • Sensação de falta de ar ou sufocamento
  • Sensação de engasgo
  • Dor ou desconforto no peito
  • Náuseas ou mal-estar abdominal
  • Tonturas, instabilidade, cabeça leve ou desmaio iminente
  • Arrepios ou afrontamentos
  • Dormência ou formigueiro (parestesias)
  • Sensação de irrealidade (desrealização) ou de estar separado de si próprio (despersonalização)
  • Medo de perder o controlo ou de "enlouquecer"
  • Medo de morrer

Importante: os sintomas físicos de um ataque de pânico são reais, não são "imaginação". O corpo está genuinamente a reagir como se houvesse perigo. A diferença é que o perigo não existe externamente, está a ser gerado internamente pelo sistema nervoso.

Porque acontecem os ataques de pânico?

Os ataques de pânico resultam de uma activação excessiva da amígdala, a estrutura cerebral responsável pela detecção de ameaças. Em pessoas com tendência para ataques de pânico, a amígdala torna-se hipersensível e dispara alarmes de emergência em situações que não representam perigo real. Vários factores contribuem para esta hipersensibilidade:

Factores que predispõem para ataques de pânico:

  • Predisposição genética, história familiar de ansiedade ou perturbações de pânico
  • Stress crónico acumulado, o sistema nervoso fica em estado de alerta permanente
  • Trauma psicológico não processado, especialmente trauma de infância
  • Consumo de cafeína, álcool ou substâncias estimulantes
  • Privação de sono, reduz a capacidade de regulação emocional
  • Hiperventilação crónica, altera o equilíbrio de CO₂ no sangue
  • Condições médicas subjacentes (hipertiroidismo, hipoglicemia, arritmias)

O ciclo vicioso do pânico: porque os ataques se repetem

Um dos aspectos mais debilitantes dos ataques de pânico é a forma como criam um ciclo auto-perpetuante. Após o primeiro ataque, muitas pessoas desenvolvem "ansiedade antecipatória", o medo de ter outro ataque. Este medo constante mantém o sistema nervoso em estado de alerta elevado, o que paradoxalmente aumenta a probabilidade de novos ataques. A pessoa começa a evitar situações onde teve ataques anteriores, o que restringe progressivamente a sua vida.

Ataque de pânico vs. Enfarte do miocárdio: como distinguir?

Esta é uma das perguntas mais frequentes, e compreensível, dado que os sintomas se sobrepõem. A dor no peito, a dificuldade em respirar e o medo de morrer são comuns a ambos. Algumas diferenças importantes: os ataques de pânico tendem a atingir o pico em 10 minutos e a resolver em 20-30 minutos; a dor no peito do pânico é mais difusa e não irradia para o braço esquerdo ou mandíbula; os ataques de pânico são mais comuns em pessoas jovens sem factores de risco cardiovascular. Perante dúvida, deve sempre recorrer a urgência médica para excluir causa cardíaca.

O que fazer durante um ataque de pânico

Saber o que fazer no momento de um ataque pode fazer toda a diferença. A técnica mais eficaz é a respiração diafragmática controlada, respirar lentamente pelo nariz (4 segundos), segurar (2 segundos), e expirar lentamente pela boca (6 segundos). Isto activa o sistema nervoso parassimpático e "desliga" a resposta de alarme.

Técnica 5-4-3-2-1 para ancoragem durante o pânico:

  • 5 coisas que consegue VER à sua volta
  • 4 coisas que consegue TOCAR (e sinta a textura)
  • 3 coisas que consegue OUVIR
  • 2 coisas que consegue CHEIRAR
  • 1 coisa que consegue SABOREAR

Tratamento eficaz para ataques de pânico

A boa notícia é que os ataques de pânico têm tratamento altamente eficaz. A abordagem mais validada cientificamente é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que ajuda a identificar e modificar os padrões de pensamento que alimentam o ciclo do pânico. Na Clínica da Mente, utilizamos a metodologia HBM, que integra Hipnose Clínica, EMDR e Biofeedback, para trabalhar não apenas os pensamentos, mas também as memórias traumáticas e a regulação do sistema nervoso autónomo que estão na base dos ataques.

Os ataques de pânico são aterrorizadores, mas são tratáveis. Com o tratamento adequado, a grande maioria das pessoas consegue eliminar completamente os ataques ou reduzir drasticamente a sua frequência e intensidade. Não precisa de continuar a viver com este medo. O primeiro passo é pedir ajuda.

Referências Científicas

  1. American Psychiatric Association (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5-TR). American Psychiatric Publishing.
  2. Craske, M. G., & Barlow, D. H. (2014). Panic disorder and agoraphobia. Clinical Handbook of Psychological Disorders (5th ed.).
  3. Pompoli, A. et al. (2016). Psychological therapies for panic disorder with or without agoraphobia in adults. Cochrane Database of Systematic Reviews.
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