Ansiedade: quando o medo toma conta do pensamento

Muitas vezes, na nossa vida, sentimos estados de Ansiedade. Chamamos de Ansiedade às sensações físicas que nos mantêm preparados para uma reação ao perigo que enfrentamos ou que pensamos enfrentar. Sempre que temos medo de algo que nos possa agredir, o nosso corpo entra num estado de vigília no qual fica preparado para reagir a agressões exteriores, e o nosso cérebro fica com maior agilidade de raciocínio, numa tentativa de, confrontado com o perigo, conseguir encontrar uma solução. Os animais, perante as agressões exteriores, podem fugir, atacar ou dissimular a sua presença, e para se comportarem com as atitudes que perceberem ser as mais necessárias, o corpo tem que se preparar com energia suficiente para as executar.

mulher curvada com as mãos na cabeça, transmitindo a sensação de ansiedade e preocupação

Então, sentimos este estado de Ansiedade sempre que temos medo que alguma experiência nos possa provocar dor. Quanto maior for a dor, mais medo temos, e mais Ansiedade geramos.

Acreditamos que determinada experiência nos traga dor por comparação com experiências que já vivemos no passado. Assim, agimos no presente baseando-nos nas aprendizagens do passado, fugindo à dor, tendo medo de viver experiências dolorosas.

Desta forma, a Ansiedade, sendo um estado normal, por vezes perturba-nos imenso, dado que sentimos que esse estado nos limita na nossa tranquilidade, criando estados de medo, vigilância e stress a perigos que reconhecemos não ter verdadeiramente a importância que damos.

Esta incongruência, em que sentimos o que não queremos sentir, acontece como uma reação mental às experiências traumáticas no passado que pretendemos evitar, mesmo que não estejam presentes os mesmos elementos agressores.

Como exemplo, uma criança vítima de agressões na escola pode desenvolver, em adulto, comportamentos de afastamento social, pois inconscientemente teme que o contacto social lhe seja novamente agressor, e mesmo sabendo racionalmente que não será agredido, a reação instintiva será a fuga a essas situações.

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Quando as crianças são sujeitas a grande pressão dos seus pais ou tutores, nomeadamente com exigências excessivas para estudar, para cumprirem regras, para se comportarem de determinado modo, entre outras formas de pressão, podem desenvolver, quando adolescentes e adultos, estados de Ansiedade generalizada, podendo até entrar em estados de bloqueio anímico perante a possibilidade de falharem as suas tarefas e de serem criticados pelos outros. Estes adultos são hipervigilantes ao seu próprio erro, nunca sentindo que fizeram bem o suficiente, e têm dificuldade em adormecer e em relaxar.

Experiências como traumas, violência infantil, bullying, divórcios, maus tratos diversos, podem ser vividos com uma intensidade tal que se torna difícil ultrapassar a dor e o medo que elas nos trazem. Estas emoções que não ultrapassamos, como o medo, a mágoa, a tristeza, ao longo do tempo destroem a nossa qualidade de vida, limitando-nos na nossa liberdade de sermos felizes.

As pessoas que não conseguem ultrapassar as dificuldades do passado não são as mais fracas, mas sim as que mais sentiram a dor ou o medo dessas experiências.

Os principais sintomas dos estados ansiosos são o batimento cardíaco acelerado, a respiração ofegante, hipervigilância no foco de medo, tensão muscular e insónias. No entanto, todas as pessoas manifestam outros sintomas mais ou menos evidentes, como suores, tremuras, confusão mental e bloqueios anímicos. A intensidade destes sintomas reflete o nível de medo percebido das experiências que nos preocupam.

Dentro do estado ansioso, podemos definir algumas variações mais conhecidas como:

  • Ansiedade Generalizada – Em que as pessoas têm medo de falhar, de ser mal avaliadas no seu desempenho.
  • Transtorno Obsessivo – Em que a pressão do medo leva a uma hipervigilância do perigo, mesmo que não seja real, com os medos a originar pensamentos contínuos e limitadores do bem-estar físico e mental.
  • Timidez e Fobia Social – Em que a exposição social se torna difícil pelo medo que se sente na avaliação dos outros, com medo da crítica ou mera opinião, com receio de não estarem à altura das circunstâncias.
  • Insónias Relativas – Quando as pessoas estão ansiosas, com medos, a sua atividade mental está por norma sempre muito acelerada com pensamentos constantes, o que dificulta o relaxamento essencial a um bom sono.

Sendo a Ansiedade um estado normal dos animais, existem, porém, um conjunto de estados que derivam de distúrbios emocionais, como:

  • Distúrbio cíclico da Ansiedade, conhecido como a síndroma dos Ataques de Pânico, em que as pessoas entram em estados cíclicos de Pânico, desenvolvendo um medo extremo de sentir o próprio medo.
  • Fobias Específicas – São medos de objetos ou circunstâncias ambientais muito específicas, como medos extremos de aranhas, pássaros, bem como medos de estar em lugares fechados ou escuros.
  • Insónias Absolutas – Algumas pessoas, após acordarem em Pânico devido a pesadelos, apneias ou mesmo Pânico espontâneo, desenvolvem uma resistência inconsciente a dormir, passando muitas horas sem conseguir adormecer ou acordando muito cedo sem voltar a adormecer.

Os estados de Ansiedade que limitam as pessoas não são doenças físicas, mas sim estados reativos ao medo que têm a algumas circunstâncias ou ambientes.

Sendo assim, o único tratamento eficaz é um tratamento psicológico que encontre as causas dos problemas e que os trate, treinando a mente de quem sofre para desvalorizar os eventos traumáticos, de forma a que estes não criem reações involuntárias como o medo injustificado. A psicologia moderna e interventiva está a criar modelos terapêuticos que ajudam as pessoas a saírem dos estados de Ansiedade de uma forma eficaz e eficiente, restabelecendo o equilíbrio reativo às experiências do dia a dia, permitindo uma adequada resposta às dificuldades sem que se torne, a própria Ansiedade, numa dificuldade.

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