A mãe atual é uma autêntica mulher-polvo pois assume inúmeros papéis no dia-a-dia: mãe, filha, profissional, esposa, mulher…. Tem como grande desafio gerir a discrepância de informação que lhe foi transmitida pelas suas gerações anteriores (mãe, avó, etc) e a que recebe da sociedade nos dias de hoje. Ou seja, esta mulher-polvo não quer, nem pode seguir os conselhos das suas ancestrais porque a realidade atual é demasiado diferente… tão diferente que também faz com que não saiba muito bem como lidar com as novas exigências que lhe são colocadas.
A vida da mãe moderna é excessivamente sobrecarregada. É verdade que, ao longo dos tempos, houve uma humanização da mulher, passando a ser vista como ser individual, cidadã com direitos e deveres. Também é verdade que a mulher foi-se afirmando cada vez mais a nível profissional, assumindo, muitas vezes, cargos profissionais de destaque. Contudo, principalmente durante o século XXI, a sociedade tem vindo a exigir que a mulher seja linda, maravilhosa, inteligente e poderosa. Que seja uma mãe perfeita, dona de casa exemplar, boa amante, excelente profissional e que tenha um corpo cuidado e esbelto. Além de tudo isto, que seja otimista, sorridente, feminina e que esteja disponível para escutar e resolver os problemas de familiares e amigos quando solicitada. Qual é a mãe que aguenta esta realidade?!

“Oh Mãaaaaaeeeee!”

Mas há mais… Todos os desafios inerentes ao papel de MÃE! O facto de nunca saber se o que está a fazer é certo, ou errado para o filho… O facto de as exigências profissionais não lhe permitirem passar o tempo suficiente com o filho e sentirem que têm de compensar, de algum modo, essa ausência… Estas mães, mulheres-polvo, que diariamente desempenham tantos papéis, são responsáveis por tantas tarefas, encontram-se, na sua maioria, cansadas, desmotivadas, com a líbido desequilibrada e emocionalmente fragilizadas. No entanto, todos os dias vestem a máscara de Super Mãe, mostrando-se felizes, fortes, seguras e indestrutíveis! Perante este panorama como é que a mãe mantém o equilíbrio emocional? Como é que é capaz de lidar com todas as situações e geri-las sem deixar que nenhuma fique desfasada? Como é que a Super Mãe do século XXI lida com os seus conflitos internos?

A Super Mãe sente que pode, a qualquer momento, defraudar as expectativas e responsabilidades para com os filhos, marido, pais, irmãos, profissão, amigos!... No interior de uma Super Mãe, feliz por tudo o que possui na sua vida, há um vulcão em permanente erupção: a gestão da constante ansiedade de falhar em algum dos imensos papéis que tem de cumprir.

Como “resgatar” a Super Mãe?

Todas as pessoas que rodeiam as Super Mães têm de estar atentas e sensibilizadas para esta sobrecarga que lhes é imposta, uma vez que estas mães precisam de ajuda e não a pedem – precisamente porque sentem que têm a obrigação de cumprir tudo, de fazer tudo exemplarmente bem. Cabe aos outros atores então procurarem não contribuir para esta sobrecarga e, se possível, libertar a mulher-polvo de alguma pressão e de algumas tarefas. Muito importante também é reconhecer e valorizar – em atos e em palavras – todo este esforço que a Mãe faz para ser perfeita.

E, por último, Super Mães… há quem entenda os vossos desafios, há quem queira e possa ajudar. Basta que falem!


Texto por Joana Oliveira, psicoterapeuta.

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